Laura: hm, as oppose to what? me apegar ao fato de que ela é a mulherzinha mais mulherzinha ever? e que eu to ficando igualzinha ela? e que eu queria desmaiar e ficar meses em casa, sofrendo com meus romances e meu jardim?
Setembro 25, 2008
Conversas de botas batidas #1
Setembro 21, 2008
Epifanias de uma aula de literatura
Mesmo depois do fim, a coisa volta.
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Eu mesma, nas duas pontinhas: entre a da saudade e a da realidade.
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Mas cuidado, meu bem. O extremo de uma ponta da balança sempre pende mais pesado. E nunca é o do desejo.
Setembro 5, 2008
Olha, doeu. Muito, aliás. Mas como é bom ter pessoas pra te cuidar. Como estou comovida, agradecida. Não, ainda não passou. Mas, agora, tô começando a achar que vai passar.
Agosto 23, 2008
Não sei por que achei que uma casa cheia de crianças num sábado ia melhorar meu humor. Por alguns minutos, cogitei gritar com todas elas. Depois de muitos beijinhos, piadinhas e afagos, lembrei. As crianças amam e carinham de graça. Não importa quem você é, ou o quanto você não mereça.
Julho 23, 2008
Às vezes, quero um amor sonhador e levinho como o de Amélie. Profundo e duradouro como o de Tomas e Tereza, ou companheiro como o de Holly e Gerry. Às vezes, quero um amor sincero como o de Pérsio e Santiago. Feinho como o de Adélia Prado. Final como o de Romeu e Julieta, ou antigo como o de Ned e Chuck. Vingativo como o de Karol e Dominique, conturbado como o de Meridith e Shepperd. Cotidiano, aleatório e urbano como o de Oliveira e Maga, ou bucólico e provinciano como o de Elizabeth e Mr. Darcy. Predestinado, sofrido e exagerado como o de Rímini e Sofia.
Às vezes, quero um amor meu.
Julho 5, 2008
“Todas as famílias…
…felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”. Foi o que Tolstói escreveu no comecinho de Anna Karenina; para mim, além de ser um dos começos de livro mais marcantes que já li, é também das melhores percepções sobre o ser humano.
Não sei se você já conheceu uma família espanhola. Mais: se já viveu em uma família de mulheres espanholas. Se não, vou contar: não é nada fácil.
Tente sentar à mesa em um sábado à noite calmo, com um copo de vinho, um pedaço de pizza e um livro. Era tudo que eu estava tentando fazer, mas o telefone tocou: na linha minha mãe, muito ofendida, me mandava ligar e dizer à minha tia-avó que não íamos mais almoçar lá amanhã; alguma briga sobre o que alguém disse a outro alguém envolvendo minha tia doente e muito disse-que-me-disse.
(Aqui, um adendo: trata-se de uma família espanhola quase italiana: não comparecer ao macarrão de domingo sem uma boa razão é quase um crime.)
Cada uma certa, cada uma errada. Cada uma triste e ofendida. O vinho, a pizza e o livro ficaram de lado, esperando que eu fosse mais brasileira que elas, e remendasse a situação.
As famílias felizes e as infelizes estão separadas por uma linha quase invisível.
Julho 1, 2008
Na televisão, ilhas desaparecem, barcos explodem, helicópteros caem no mar. No meu quarto, eu procuro, sem encontrar, um salva-vidas imaginário.
Junho 26, 2008
No espelho
“A antítese de brincar não é o que é sério, mas o que é real.” Freud.
Me dizem que Alice estava sonhando, cuidado. Não sei muito bem o que ando encontrando atrás do espelho: eu, algumas das minhas antigas convicções (tão engraçadas, sérias que só elas!), uns terrores, umas alegrias, alguns confortos, muita, muita estranheza, claro. Tento me lembrar (convencer), às vezes, de que não sou Alice; portanto, não estou sonhando. Mas morro de medo e tristeza quando penso em acordar.
Junho 23, 2008
Hoje há frio, e um certo desequilíbrio. Vontade de sentar embaixo de uma coberta, tomar leite quente e roer as unhas, só. Assim mesmo, me preocupando em pensar sobre nada.
Junho 16, 2008
Problemas literários
Era fácil ser cínica e anti-romântica, como diziam suas amigas. Era fácil ser ácida, mordaz, beber cerveja e dar risada. Dizer sempre no dia seguinte, e nos outros, que tudo bem.
Era mais fácil, pelo menos, do que explicar que ela não era, mesmo, nada disso. Porque, se não, seria o avesso. E, o avesso, quem entende?
Ela estava do avesso, sem explicação.