O começo do fim de ano, pra mim, é marcado pelo aniversário do meu irmão. Mais do que o calor, pelas luzinhas de Natal, pelo trânsito piorado, pelas lojas cheias, pelos anúncios de férias coletivas, o que eu espero é o aniversário do meu irmão. Desde quase sempre – porque ele é mais novo que eu –, é isso que começa a marcar meu fim de ano, minha contagem regressiva, minhas compras natalinas, minhas comemorações, minhas listas e retrospectivas, enfim.
Hoje eu me convenci, enfim, de que o ano está acabando, assim que dei bom dia ao irmão, bem cedinho, às 7 da manhã. Um bom dia que, diferente dos outros bons dias, já anunciou logo que dia era hoje, grudando um “parabéns” logo atrás do cumprimento.
Preciso confessar que estou aliviada com esse comecinho de fim. (Todos os fins têm começos, sim. Os começos dos fins. São importantes, a gente é que nunca percebe.) Porque 2008 não foi bom pra mim, muitas vezes. E, mais muitas outras vezes, 2008 me prometeu um montão de coisas, e não cumpriu. 2008 tirou sarro de mim, me deu rasteira, me jogou no chão e me deixou lá, com o pé torcido e a cabeça batida. Eu e 2008 começamos muito bem, morremos de amores um pelo outro. Mas também nos detestamos. Eu quis matar 2008, viu. Hoje nossa relação está desgastada. Não sei se foi ele; pode ser que tenha sido eu. O mais provável é que tenhamos sido os dois.
De qualquer maneira, é bom que tudo esteja terminando. Eu vou ser mais feliz sem 2008, e ele com certeza vai ser mais feliz se eu guardar dele apenas memórias. E, com certeza, eu vou lembrar de 2008: o ano em que meu irmão fez 19 anos.