Não sei, acho que você não deve se lembrar. Foi numa noite cheia de estrelas, durante um verão que passamos no campo, que eu te ensinei a fazer pedidos pra estrela cadente. Sim, naquela época ainda havia verões no campo. E nós achávamos que a vida era assim. Você levou muito a sério aquilo de pedir para as estrelas, acreditou mesmo. Acho que naquela época você queria que seus pais voltassem a ser casados – ou queria que aquele menino te pedisse em namoro, não sei. Sei que você me contou, mas você sabe, essas são as coisas que a gente esquece, no fim. Nada disso aconteceu, mas acho que você também deve ter esquecido, porque desde então passou a pedir todas as coisas importantes, para qualquer estrela. Acho que você também esqueceu que só as cadentes podiam ouvir. Só queria te dizer, hoje, que tudo bem continuar pedindo. Algumas coisas você vai conseguir – acho que não é por causa da estrela, mas tudo bem imaginar isso – e outras, muitas outras, não. Mas tudo bem, também. Queria te dizer também que a sua vida vai ser bacana. Não me pergunta como eu sei disso, demorei um tempão para entender. Não, eu não sei como isso tudo vai ficar. Mas eu sei disso: vai valer a pena descobrir.