Me pareceu, ontem, que a Madeleine Peyroux era uma cara nova de um jazz meio novo, com um feel antigo mas, mesmo assim, com seu quê de modernidade.
Ela apareceu no palco sem nenhum anúncio, quase silenciosa, de modo que a Tati, do meu lado, teve que me avisar: “olha, é ela”. Usava calça jeans, uma bata verde estampada com o que, da lonjura onde eu estava, me pareciam pequenas flores, e uma jaqueta branca. O cabelo em uma trança um pouco solta, jogada para um lado.
Cada palavra, cantada ou falada, parecia frágil, ao mesmo tempo que confiante. Não dá pra saber se Madeleine é tímida ou apenas doce, silenciosa. Sem seu violão, ela falava às vezes com a platéia, dando uma risadinha de cumplicidade. “I hope you know what I mean when I say careless love”, disse. “São Paulo feels like you all might know”. E, de alguma maneira, todos sentiam a música e as palavras com ela, “loud and quiet”.
As improvisações do piano, guitarra e violoncelo combinavam perfeitamente com a voz que fluía, achando notas que, não fosse por ela, você nem saberia que estavam lá. E, no fim de tudo, cantando Smile com um cavaquinho ou La Vie en Rose só com violão, a simpatia e o talento de Madeleine Payroux foram ouvidos.